Little Shelf

06/05/2014

Três palavras não ditas.



Foi um olhar e um sorriso, para que, de alguma forma que tese nenhuma consegue explicar, ele se tornasse inesquecível. Era tão comum entre mais ou menos outras trezentas pessoas, mas ao mesmo tempo tinha o seu diferencial. Não foi amor a primeira a vista, longe de ser isso, mas foi um encanto enigmático. O momento que eu o vi senti o meu coração acelerar, o que era antes uma batida calma se transformou em euforia. Eu me sentia eufórica por inteiro. E por um lapso de uma troca de olhares, um sorriso de canto e um piscar de olhos, ele sumiu. Sumiu como se nunca estivesse estado lá. Me vi frustrada, encantada por um sorriso do qual o dono nem se quer sabia o nome e não havia garantias nenhuma que o veria de novo. Um passo pra cá, uns cinco pra lá e no meio de todo aquele empurra-empurra de pessoas rindo, bebendo e cantando, esbarrei em alguém. Podia ser sim do dono do sorriso lindo, isso é, se eu estivesse em um filme adolescente, mas não estava. Infelizmente. Era só outro garoto se divertindo, qual foi gentil ao ponto de segurar uma estranha desastrada pelo braço antes que caísse no chão. Assim que me vi de pé e firme, olhei para frente e perdi a respiração por uns cinco segundos. Ele estava ali, na minha frente, me encarando exatamente com aquele sorriso. Aproximou dois passos e depois mais dois, até parar na minha frente. Levantou um pouco o copo que segurava me oferecendo. Eu adorava uísque, mas naquele momento os lábios que eu via na minha frente eram bem mais provocantes. Senti a mão dele firmando em minha cintura e não sei onde foi parar minha timidez, mas dou graças que ela tenha evaporado. Deslizei a mão até seu pescoço e em seguida senti aqueles lábios instigantes colados aos meus. De olhos fechados, eu vi uma pequena luz. Não daquelas que as pessoas dizem ver quando estão prestes a morrer. Era diferente, era a minha luz. Vi nós dois juntos sentados no sofá embolados em uma coberta vendo filme e no minuto seguinte, ele era minha coberta; vi nós dois deitados numa cama de solteiro, no escuro, ouvindo aquela música que ficou marcada; vi ele acordar desarrumado, me dar um beijo de despedida e meu coração doer de saudades; vi nós dois sentados no sofá em um domingo de manhã rindo, ele mexendo no meu celular e brincando; vi eu me apaixonando todos os dias um pouco mais por aquele sorriso e pelo pacote de qualidades e defeitos que o formavam; vi eu me jogando de cabeça, me entregando e quase chegando a um ponto que pudesse chamar de amor. Então, em um estalar de dedos o que era quase amor virou saudades. E acabou. A luz apagou e tudo o que era fogo tornou-se gelo. Tão rápido como quem desliga um interruptor. Um fim sem começo, sem direito a explicações. O que restou foi lembranças e aquele perfume nos meus lençóis, maldito perfume!

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6 comentários:

  1. Gente eu amei seu texto, você escreve muito bem! Ao mesmo tempo que é lindo é triste pois eu já vi vários futuros meus que também nem chegaram a acontecer.

    Vem conhecer o Café Com Babis

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  2. Muito lindo este texto, adorei. Você escreve muito bem Sabrina, estou ansiosa para ler seus próximos textos.

    Vitorino

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    Respostas
    1. A Sabrina sumiu aqui do blog, infelizmente :(

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  3. Que lindo isso que eu acabei de ler! Gosto muito de escrever também, esse texto tem um misto de ousadia e delicadeza. Fascinei! <3

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